Estava lendo essa ótima postagem do Daniel Santos em que ele comenta a entrevista de Winnie Lim para o People and Blogs (que vira e mexe eu comento por aqui). Gostaria de destacar esse trecho:

E este comentário da Winnie, mais para o final do texto, é onde ela está mais coberta de razão: onde está a graça, de que vale o esforço de se concentrar e traduzir suas vivências, combinar seu conhecimento, criar um fluxo consciente de palavras, só pra depois um bot de IA vir e copiar tudo, pra depois responder, em um milésimo de segundo, alguém que tenha digitado um prompt?

A energia que ela dispendeu, onde fica? A energia que todos dispendemos, tendo sites na web pessoal. É uma grande reflexão, e uma reflexão que realmente me entristeceu, porque às vezes pensar sobre isso parece levar a crer que não há saída, não há proteção. Parece como tapar o sol com a peneira, ou rolar a pedra de Sísifo.

Por que escrever um longo texto informativo, opinativo, com vivências reais, para tentar ajudar as pessoas sobre algum tema específico? Muitas pessoas já preferem perguntar à IA, que dará uma resposta em segundos, baseada inclusive em quem gastou bastante energia para escrever uma resposta original.

Para aqueles que escrevem com foco em SEO então, isso se torna cada vez mais irrelevante. E, ao que parece, a moda agora é a otimização para IA, ou seja, escrever para a IA. Eu me recuso, mas se você acha válido, boa sorte.

Se já não vale a pena escrever textos para ajudar às pessoas, qual a razão de escrever? Por que ter um site/blog?

Bom, acho que a primeira parte da resposta é parcialmente egoísta: por mim. Eu me lembro da sensação do primeiro texto que publiquei. E não, não foi há muito tempo, já existiam redes sociais. Minha sensação foi mais ou menos essa:

“Cara, olha aí um texto que eu escrevi, num domínio que eu escolhi, num tema que eu gostei e que agora está disponível para qualquer um nesse endereço!”.

Uma parte dessa sensação ainda existe quando eu publico um texto.

Bobo? Sim. Muito bobo. Mas foi algo diferente. A rede social facilita a exposição da opinião, mas não substitui (nem de longe) o site/blog.

A segunda parte da resposta é que eu acho que todo mundo que tem um site/blog tem a esperança de chegar em alguém. Na maior parte das vezes, ninguém lê. Mas às vezes chega nas pessoas reais. Para diminuir esse sentimento de solidão, comunidades como o Entreblogs ajudam bastante. A publicação cruzada nas redes sociais, como tem no Micro.blog, acho que também ajuda a chegar em que está nas redes.

Por fim, a terceira parte da resposta se refere à possibilidade de personalizar do jeito que quiser. Cada site/blog tem o estilo de seu criador(a), às vezes minimalista, às vezes não. Às vezes com muitas mudanças no tema, às vezes totalmente desenvolvido por ele/ela, e às vezes só com um tema padrão igual a todos. Essa capacidade de personalização eu desconheço nas principais, senão todas, redes sociais. Por exemplo, ontem coloquei no site uma pequena árvore com as folhas caindo, simbolizando a primavera. Paradoxalmente, com ajuda da IA…

Portanto, ainda tem certo valor dedicar um tempo para nossos sites e blogs.