A primeira vez que assisti a Cães de Aluguel foi há pelo menos 15 anos, na época das locadoras, quando eu costumava alugar (com o dinheiro dos meus pais) cerca de três ou quatro filmes por final de semana. Ajudava o fato de meu pai também gostar muito de filmes — um hábito que ele preserva até hoje, se deixar passa o dia todo assistindo.
Alimentar essa nostalgia foi uma das razões que me motivaram a iniciar, no ano passado, uma coleção de filmes em DVD e Blu-ray. Em setembro, adquiri um pequeno lote de filmes usados do Quentin Tarantino, que incluía este seu primeiro longa, lançado em 1992.
Produzido de forma independente e com baixo orçamento, o filme de estreia de Tarantino já apresenta suas marcas registradas: diálogos longos, repletos de referências à cultura pop e com um tom sutil de comédia.
A cena de abertura, por exemplo, é uma conversa em um bar onde os personagens principais, sentados em círculo, debatem o significado da música Like a Virgin, da Madonna. Em um dos extras do DVD — uma entrevista de 14 minutos —, Tarantino explica sua visão: para ele, criminosos não falam sobre maldades o tempo todo, mas sim sobre temas cotidianos, como música, filmes e esportes.
Basicamente, a história foca no que acontece antes e depois de um assalto, sem nunca mostrar o assalto em si. Violento e com uma cena de tortura icônica, o filme envelheceu muito bem porque sua “tecnologia” são as pessoas (atores) e a intensidade de suas relações.
Tarantino também revela na entrevista que, através de um amigo do amigo do amigo, o roteiro chegou às mãos de Harvey Keitel (o Mr. White). Foi a adesão de Keitel que deu a legitimidade necessária para que o projeto saísse do papel.
É um ótimo filme e mostra que Tarantino já começou sua carreira em alto nível.
Nota (0 a 5): 3,5