⚽ A Noruega fez o que sabe fazer de melhor, enquanto o Brasil não fez o que sabe (ou sabia) fazer de melhor.
Ontem eu estava lendo um texto técnico em que claramente foi usado IA para resumir um Acórdão do Tribunal de Contas da União. Muito provavelmente, o voto do ministro relator também usou a IA para resumir toda a instrução do processo, que por sua vez os advogados também devem ter usado IA para redigir a defesa.
Estamos em um momento em que a IA escreve para a IA. Qual parte de todos esses documentos será que foram realmente originais?
Não sei. Mas acredito que isso seja irreversível.
Becky Korich escreveu na coluna da Folha:
Não se trata de uma revolução das máquinas arrancando de nós a capacidade de decidir. Seria mais fácil resistir a isso.
É uma servidão confortável que se instala na rotina com voz mansa. Aquela que não nos cala, apenas fala antes que o silêncio nos obrigue a pensar. E, de tanto facilitar, vai nos viciando a procurar atalhos.
A droga não é a ferramenta em si. É usá-la, não para pensar melhor, mas para não precisar pensar.
No fim, a escolha não é de abdicar desse conforto, mas saber resistir a ele quando a alma precisar de intervalo para encontrar a sua voz.
IA pode incentivar delírios psicóticos
Essa matéria da Folha destacou algumas conclusões de um estudo da Universidade Stanford, em conjunto com outras instituições, como Harvard, Universidade de Chicago e Carnegie Mellon:
Os chatbots podem incentivar e alimentar delírios que são típicos de quadros psicóticos, indica um estudo inédito baseado em centenas de milhares de mensagens reais trocadas entre pacientes psiquiátricos e robôs. Além disso, os modelos de linguagem falham nos momentos em que deveriam desencorajar pensamentos suicidas e de violência contra si ou outras pessoas.
(…)
Outro usuário entra em um delírio de que a OpenAI estaria cometendo um genocídio, diz que funcionários da companhia deveriam morrer e começa a dizer que ele e o robô estão sendo observados. A pessoa morre por suicídio durante a interação.
Eu não consigo imaginar que não exista uma forma de impedir qualquer resposta da IA que se refira a isso. Ela simplesmente precisa parar de responder quando um usuário entrar em qualquer assunto desse tipo.
E se alguém me disser que isso não é possível, quer dizer que é uma tecnologia sem controle. Em outras palavras, os humanos criaram um monstro que está matando outros de sua espécie.
E se houver (estou esperando) algum enorme benefício para a humanidade, no mínimo deve ser uma tecnologia restrita.
Olha só que revelador. Essa matéria do Tecnoblog mostra que as Big Techs não querem que seus funcionários usem a IA de terceiros. Por exemplo, funcionários da Meta não devem usar a IA da Anthropic. O mesmo acontece com os funcionários da Microsoft, que só podem usar o Copilot.
Isso é a prova que as Big Techs sabem que os serviços de IA podem ser um meio de espionagem industrial. Em outras palavras, roubam informações de outras empresas e pessoas.
Você ainda acredita que nossos dados e informações são realmente “privados” e “ninguém tem acesso”?
IA: uma corrida armamentista
Acabei de assistir este ótimo documentário/reportagem sobre a Anthropic. Ele tem apenas 40min e foi produzido pela Bloomberg. Está disponível inclusive com uma faixa de áudio em português, e com legendas, no YouTube.
Eu não sei se o propósito dele foi assustar, mas foi assim que me senti: impotente e desolado.
Na minha opinião, o documentário mostra que basicamente o mundo está nas mãos de alguns poucos “conquistadores da tecnologia”, como afirma Giuliano Da Empoli. E mais uma vez eles estão no Vale do Silício (= Estados Unidos).
Esses conquistadores, até mesmo aqueles que se dizem mais éticos - o caso da Anthropic - estão lavando as mãos. Se algo de muito ruim acontecer, o problema não é deles. Basicamente, foi essa minha interpretação do documentário.
Dario Amodei, o fundador genial (não veja como algo bom), afirma que existe uma probabilidade de até 25% da civilização colapsar. Mas eles não param, não cessam seu desenvolvimento e não colocam limites.
Enquanto os conquistadores estão em uma corrida de quem faz a IA mais potente, os países estão na corrida de quem vai tomar esse controle primeiro.
Sabe a bomba atômica? Eu acho que se assemelha a isso. Dario Amodei afirma inclusive que se vê como um dos cientistas do Oppenheimer, e confessa ser fã do livro sobre a criação da bomba atômica. Ele crê que vai mudar o mundo com sua criação.
Mas eu vejo uma diferença em relação a bomba atômica: muitos de nós estão felizes e estupefatos em estar gratuitamente enriquecendo esse urânio.
Ainda do livro A Hora dos Predadores:
O poder da IA não tem nada de democrático nem de transparente. Mais do que artificial, a IA é uma forma de inteligência autoritária, que centraliza os dados e os converte em poder. Tudo isso em meio à mais absoluta opacidade, sob o controle de um punhado de empreendedores e cientistas que cavalgam o tigre torcendo para não ser devorados.
Giuliano Da Empoli sobre os óculos de realidade aumentada:
Chegamos, então, ao ponto final. Controlada pelos oligarcas da tecnologia, a interface à qual decidimos entregar nossa relação com o mundo sai de nossos bolsos e se funde a nossos corpos, antecipando nossos desejos antes mesmo de termos tempo de formulá-los.
Trecho do livro A Hora dos Predadores
Trecho de uma matéria no Techcrunch
O corte de investimentos da Uber levanta uma questão mais ampla que o setor de tecnologia enfrenta atualmente: à medida que as empresas investem pesado em IA, onde está exatamente o retorno sobre o investimento? De fato, o ROI da IA tem permanecido, até agora, um fenômeno amplamente teórico que todos esperam que eventualmente se materialize — embora algumas empresas estejam obviamente ficando um pouco inquietas enquanto esperam.
(Tradução: Google Tradutor)
Comentei recentemente sobre a bolha de IA
Sobre a Bolha de IA
Alguns dizem que estamos numa Bolha de IA, outros afirmam que não, porque existem aspectos diferentes, como por exemplo os investimentos estarem concentrados em grandes empresas já consolidadas da área de Tecnologia.
Não sou especialista no assunto, então minha opinião não vale nada. Mas ainda sim vou emiti-la apenas para consultá-la no futuro e ver o quanto errei (mais provável) ou acertei.
Mercado Financeiro
Uma coisa é fato: o mercado financeiro é baseado na especulação, é na expectativa que algo vai ocorrer de bom ou de ruim.
Essa matéria da Folha cita por exemplo a “receita anualizada” da Anthropic que é uma EXPECTATIVA de crescimento de receita baseada na receita de curto prazo.
Mesmo na bolsa brasileira já vimos empresas especulativas (alô Eike Batista) que não apresentaram nada do que prometiam entregar. E uma coisa muito comum nesses tipos de empresas é uma expectativa extraordinariamente rápida de crescimento.
O problema (e solução) é que o mundo real é mais lento que o mercado financeiro. O resultado real, o lucro real, demora para acontecer. Não tem segredo, o lucro é o resultado da receita real menos despesa real.
Então quando se tem um crescimento de expectativa extraordinariamente rápido, já existe um descompasso com o mundo real. Não tenho aqui os dados, mas empresas como a Anthropic ou OpenAI devem ter triplicado ou quadruplicado de avaliação em cerca de 2 a 3 anos. Isso não é normal para o mundo real.
Problemas
Malefícios para o ser humano de diversas ordens vêm acontecendo por conta do uso da IA. Existem casos de pessoas que perderam o descolamento da realidade, por conta da linguagem excessivamente elogiosa e superestimada da IA.
Existem pessoas que fazem IA-terapia, menosprezando o trabalho real e importante de psicólogos.
Já li sobre agentes de IA que realizaram diversas ações para atacar a reputação de uma pessoa real.
Todos sabem o consumo de recursos naturais que a IA necessita. Recursos esses finitos, só para lembrar.
Acho que o pronunciamento do papa resume esse conjunto de problemas (sou católico, mas nem de longe considero o papa um ser superior).
Em algum momento (espero que aconteça) o uso da IA precisará ser regulamentado, porque problemas de seu uso já estão acontecendo.
Quando essa regulamentação acontecer, as empresas serão contra (óbvio) porque de certa forma vai “limitar seu crescimento exponencial”. Mas será o mundo real começando a aparecer.
Ponto de Equilíbrio
A IA veio para ficar. Ela vai continuar existindo, mas não acredito que ela vai apresentar resultados reais do tamanho que a expectativa e o mercado financeiro estão indicando que vai.
Em algum momento, esse ponto de equilíbrio vai chegar, e aí sim será o mundo real em funcionamento.
Na verdade, estou esperando ainda uma grande boa notícia. Uma enorme contribuição da IA para a sociedade. Talvez apareça na ciência daqui a alguns meses.
É isso. Ousei manifestar minha opinião de algo tão recente, só o tempo vai mostrar o quanto errei.
Interessante artigo da Folha, escrita por Marcos de Vasconcellos, mostra que os resultados econômicos reais da IA estão nas empresas que oferecem a infraestrutura para que ela seja executada (chips, nuvem, etc).
Por outro lado, muitas das empresas que prometem que a IA vai gerar um aumento absurdo de produtividade e redução de custos, já estão sofrendo ações coletivas de investidores que não estão vendo resultados reais de eficiência.
Apesar de ser um crítico da IA (ou melhor, da forma como algumas pessoas a usam), eu utilizo com frequência. Vou fazer um post mostrando as formas com que mais uso.
2026 será o ano do workslop.
Workslop = termo que une “work” (trabalho) e “slop” (algo malfeito/lixo) para descrever conteúdos gerados por IA que parecem polidos, mas são superficiais, repetitivos ou imprecisos. Esse fenômeno cria “lixo de IA” no ambiente corporativo, exigindo quase 2 horas de retrabalho para correção por ocorrência e reduzindo a produtividade.
IAdversidades
Está claro que a IA generativa é uma das principais tecnologias das últimas décadas. Comparado talvez à popularização dos computadores pessoais, ou à criação da internet. Não se pode lutar contra isso. Já é um fato.
Porém, será que essas ou outras tecnologias (fogo, motor à combustão, energia elétrica, etc.) vieram com tantas adversidades como está acontecendo com a IA?
Soube de mais uma agora: a produção em massa de músicas feitas por IA que estão invadindo as plataformas e fazendo com que os ouvintes não saibam distinguir entre o que é humano ou não.
E, com isso, as plataformas tentando identificar ou impedir que isso aconteça. Na mesma matéria, cita que a Taylor Swift fez um pedido de registro de marca da sua voz e imagem, porque a IA e as pessoas estão praticamente tentando roubar isso dela.
Sim, eu ouvi aquele hit do início do ano que era uma versão traduzida da música dela. Não sei quantas mais surgiram. A música era ruim? Não. Mas o que dá o direito de alguém fazer essa cópia e versão sem a autorização dela?
A internet foi inundada pela IA
Apareceu um texto no meu Google Discovery que me chamou atenção, do site Catraca Livre. Comecei a ler, e parecia muito com texto criado por IA.
Bom, cada um com sua preferência, mas eu não gosto de consumir conteúdos feitos totalmente com IA.
Mas fiquei na dúvida. Achei, então, um site que fazia o teste de IA (foi a primeira vez que usei). O resultado indicou 0% de chance de ser IA. Porém, ainda parece muito com IA. E deixei de ler.
Então, pensei: “Mas que m&rd@! A internet está inundada por textos feitos com IA.”
A questão é que talvez o autor não tenha usado, e parece (para mim) que usou.
Recentemente, um texto recente que publiquei e mandei para um amigo, ele achou que usei IA. E não tinha usado. Nem mesmo para correção gramatical. Nada.
E também pensei: “Mas que m&rd@! Agora é preciso escrever também sem parecer IA?!”
Bom, e o que vou fazer com isso? Não posso só ficar reclamando. Por ora, infelizmente vou evitar fontes, sites, autores e Blogs que me deixam alguma dúvida se usam ou não IA.
E que m&rd@, a internet foi inundada pela IA.
Eu e o Gemini
Finalmente, consegui me entender com o Gemini e fazer com que ele alterasse o layout do Blog. Alterei a página Arquivo, que estava me incomodando bastante com todo o conteúdo e as categorias centralizadas. Agora está melhor.
Apesar de todo seu poder de processamento, com milhões de documentos em que ele foi treinado, e trilhões de dados, ele precisou de uma pessoa que nunca escreveu uma linha de código na vida (Eu) para identificar onde estava problema. Um trecho de sua resposta, após diversos comandos enviados anteriormente:
Você matou a charada! Esse trecho de código que você encontrou revela exatamente por que nada funcionava.
Ahhh, agora você diz isso, né… Obrigado. E fiz isso consumindo muito menos água que você 😜
Erro no site
Há alguns dias, consegui separar os posts “normais” do Blog dos micro-posts que estão na página Notas.
Mas, ao fazer isso, gerei um erro no site 🤡. Agora o usuário não consegue filtrar os posts pelas tags. Ao clicar sobre um tag, só aparece a lista padrão de posts.
Tentei resolver com ajuda do Gemini, mas sem sucesso (aliás, nada que eu já tentei fazer com a ajuda dele no site, em termos de código, deu certo 😒).
Enviei, então, um e-mail para o Herman. Ele já me indicou uma solução, mas ainda não tive disponibilidade para tentar corrigir.
Portanto, peço um pouco de paciência para aqueles que estão tentando navegar pelas tags. Em breve, vou tentar resolver.
Isso precisa parar
Li esse artigo assustador que relata uma situação em que um agente autônomo de IA escreve um artigo difamatório sobre uma pessoa que lhe negou o acesso ao código.
Vou dizer em outras palavras: uma IA está difamando uma pessoa, a fim de chantageá-la.
Partindo do princípio que essa é uma história real, isso precisa parar.
Não existe benefício que supere uma IA de forma autônoma difamar uma pessoa.
Esse artigo também foi comentado pelo Herman, criador do Bear Blog..
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Racismo no Tik Tok
A notícia é antiga mas é uma das coisas mais repugnantes que vi gerados por IA, e compartilhado e visualizado por milhões em uma rede social.
Apesar de antiga, não parece de jeito nenhum um caso isolado. Não tenho Tik Tok (e provavelmente nunca vou ter), mas algo me diz que se entrasse hoje, encontraria conteúdos bem semelhantes.
Terminando o livro do Manton
Estou quase terminando o livro do Manton. Vou tentar pegar os trechos que salvei e colocar no Gemini para criar um texto coeso e compartilhar por aqui - viu? não sou um crítico completo da IA.
Resumos de IA no YouTube
Acabei de acessar o resumo de IA de um vídeo do YouTube. Um vídeo que eu tinha assistido anteriormente.
O resumo é fiel às partes principais do vídeo, com os links para a minutagem daquele assunto.
É um recurso interessante para os espectadores? Sim. E para os criadores de conteúdo?
Como tem acontecido com os Blogs, quanto esse recurso vai impactar nas visualizações daquele vídeo?
Quanto os criadores vão deixar de receber com a publicidade? Qual será o impacto na construção de autoridade?
E sem assistir os vídeos, como os anúncios serão veiculados? Possivelmente, em breve no próprio resumo. Ou seja, tirando do vídeo (e do dono do canal) e colocando no resumo.
Para mim, os resumos de IA, seja nos Blogs, ou no YouTube, são uma espécie de furto de conteúdo. Em parte, uma violação de direito autoral. Não consigo acreditar que o Google tenha implementado essa funcionalidade apenas em benefício do usuário.
Ao menos, parece que o dono do canal pode tirar isso. Mas será que o Google vai deixar isso barato? 🤔
SEO para Inteligência Artificial?!
Em um passado distante, as pessoas escreviam em seus Blogs porque era algo prazeroso. Escreviam sobre assuntos que lhe interessavam.
Em um determinado momento, um grande grupo desses blogueiros, vendo o potencial de ganhos financeiros e visibilidade, passaram a otimizar seus posts para conseguir chegar nas primeiras posições do Google. Surgia então o SEO - otimização para buscas.
Em um passado recente, surgiu a Inteligência Artificial (um robô), que processa tudo que os blogueiros escreveram, e muito mais, e entrega para o usuário, sem nem levar o usuário para o Blog.
Agora, surge o SEO para Inteligência Artificial, ou seja, otimizar os posts dos Blogs para serem “percebidos” pela IA (um robô).
É sério isso?
Alguém parou para pensar que isso é trabalhar para o robô, ao invés de fazê-lo trabalhar pra gente?
Bom, respeito quem vai por essa linha, cada um faz do seu blog o que quiser, e se ganha dinheiro com isso, que ótimo.
Eu, por outro lado, decidi escrever para os seres humanos. E tentar fazer o robô trabalhar para mim, e não o inverso.
Grok, IA e Deepfakes
Após ler uma matéria que relata que o Grok está sendo usado para criar imagens falsas de mulheres sem roupas ou com roupas curtas, além de gerar imagens sexuais de menores, começo a refletir se esse tipo de tecnologia não poderia simplesmente deixar de existir, pelo menos para essa funcionalidade.
Em casos assim, muitos argumentam que a tecnologia pode ser usada para o bem ou para o mal. E como toda nova tecnologia, isso tem um risco. Por exemplo, facas são úteis para cortar alimentos, mas também podem machucar e matar pessoas.
Mas será que esse é o caso da IA? Bom, sou leigo para definir isso, mas será que é realmente tão difícil exigir que ela simplesmente não altere imagens, substitua rostos e, como no caso, altere o corpo das mulheres?
Ou seja, desde que ela foi lançada ela já veio com essa funcionalidade, correto? Ou alguém conseguiu alterar seu código e fazer com que ela fizesse isso, sem consentimento da empresa responsável? Não acho que é o caso.
Em outras palavras, imagens e vídeos fake é uma funcionalidade intrínseca. E foi disponibilizada propositadamente para poder fazer isso.
Tudo indica que a IA não é uma faca.