iPhone, IA e produtividade

Estava ouvindo esse episódio do VCP 2.0 e me identifiquei muito com as abordagens do Vladimir. Citando os valores do lançamento do iPhone Duo, ele questiona por que continuamos querendo cada vez mais coisas, mais caras e que provavelmente não vamos usar.

Para mim, a única coisa que leva uma pessoa a pagar 2.000 dólares (em conversão direta, quase 12.000 reais) em um smartphone é o status. O problema é que muitas pessoas que valorizam isso pagam até mais caro se tiverem a esperança de obter esse status social.

Definitivamente, não é uma coisa que valorizo na minha vida. Eu nunca tive um iPhone. Ainda tenho vontade de ter, apenas pela experiência e pela curiosidade. Mas essa curiosidade não me faz pagar mais de 2.000 reais num smartphone. O máximo que já paguei foi cerca de 1.200.

Mas alguns podem dizer: “Mas no iPhone tudo é feito MUITO rápido, é MUITO mais produtivo”. É mesmo?

É exatamente o mesmo discurso que envolve (quase) todas as razões que nos levam a usar a IA. Em alguns casos, que nos obrigam a usar.

Para onde toda essa eficiência e produtividade está nos levando? Você se sente realmente mais produtivo que há 5 ou 10 anos atrás? Sinceramente, eu não. Computadores mais rápidos, telefones mais rápidos, carros mais rápidos etc. parece que só estão nos levando a transtornos mentais, isolamento social, perda de capacidade cognitiva, catástrofes climáticas e deficiências na educação.

Hoje, eu acho que a sociedade precisa do menos, do lento e do melhor.

Miguel Nicolelis alerta para os perigos da obsessão por acelerar a produção e criação, que pode causar uma crise de saúde mental e ambiental, prejudicando bilhões de seres humanos e a evolução neurológica da humanidade.

Miguel Nicolelis

Depois de tantas notícias ruins e preocupantes relacionados à IA, finalmente soube de uma excelente aplicação da IA como auxiliar em uma cirurgia cerebral para a retirada de um tumor.

“O LibreOffice 26.8 não contém recursos de IA generativa. Os documentos não são transmitidos a serviços remotos para processamento, e nenhum componente da suíte requer acesso à rede para funcionar. Essa é uma posição deliberada. Qualquer organização que lide com dados confidenciais, protegidos por sigilo legal ou de natureza pessoal precisa saber para onde esses dados vão, e a única garantia que resiste a uma auditoria é que eles não saiam da máquina.”

Software Livre ainda faz parte da resistência.

Estou com a impressão (sem nenhuma comprovação) de que o Google está desesperado para que mais e mais pessoas usem o Gemini em tudo quanto é lugar. Venho recebendo notificações no Chrome, no Google Agenda, no Gmail e no celular. Também tenho reparado muitos anúncios no YouTube.

A fome de dados é insaciável…

Sobre clássicos e IA

Estou lendo a primeira história do Sherlock Holmes, chamada “Um estudo em vermelho”. Ela foi escrita por Sir Arthur Conan Doyle e publicada originalmente em 1887. Ou seja, uma história publicada há 139 anos!

Envolvente, misteriosa e com a apresentação de um dos personagens mais conhecidos de todos os tempos. Ainda é atual, e provavelmente será por muitos anos.

Nesse momento em que vivemos, em que muitos preferem usar a IA para escrever qualquer coisa, tirando boa parte da escrita humana e da originalidade (ainda que com referências) de um texto e de uma história, tem sido um certo alívio ter a certeza de que algo não foi escrito por uma IA.

Para aqueles que confidenciaram ao ChatGPT seus segredos mais íntimos, fazendo uma “terapia” com ele, eu recomendaria apagar todas as conversas e excluir a conta agora mesmo.

ChatGPT começará a exibir anúncios personalizados no Brasil usando o histórico dos usuários, com restrição a maiores de idade e sem compartilhar dados pessoais com anunciantes.

Ótimo trecho de um artigo escrito por Maria Athayde, publicado na Folha:

A ilusão da neutralidade da IA, entre vieses e decisões humanas no trabalho

O texto reflete sobre o impacto da inteligência artificial no ambiente de trabalho, questionando se ela torna os profissionais menos críticos e autorais ou se pode ampliar e enriquecer o trabalho humano ao liberar energia para atividades que exigem criatividade e interpretação.

Onde isso vai parar… É uma tragédia anunciada.

Agente de IA autônomo “escapa” e ataca startup: Matéria da BBC

Falamos muito sobre IA?

Esses dias eu li um post de blog em que o blogueiro estava reclamando que os posts que lê agora são apenas sobre IA, e que ele gostaria de ler posts com outros assuntos.

Eu vou continuar escrevendo sobre IA, porque tudo indica que é uma tecnologia tão importante quanto o surgimento da internet. E, gostando ou não (geralmente sou mais crítico), ela tem e terá impactos em diversos aspectos da nossa vida: social, trabalho, saúde, etc.

Então, mesmo sabendo que não sou nem um pouco especialista, vou gostar de ver como eu pensava sobre ela daqui a alguns anos.

60% dos textos que leio parecem que foram feitos com IA. Pode não ter sido feito, mas parece que foram feitos. Que momento triste, não saber se um texto foi ou não escrito por IA.

Eu uso IA, principalmente para edição e correção. Mas quando uso, tento tirar os vícios que ela tem. Ou seja, quando escrevo, peço a IA para editar, mas preciso editar o que foi editado.

⚽ A Noruega fez o que sabe fazer de melhor, enquanto o Brasil não fez o que sabe (ou sabia) fazer de melhor.

Ontem eu estava lendo um texto técnico em que claramente foi usado IA para resumir um Acórdão do Tribunal de Contas da União. Muito provavelmente, o voto do ministro relator também usou a IA para resumir toda a instrução do processo, que por sua vez os advogados também devem ter usado IA para redigir a defesa.

Estamos em um momento em que a IA escreve para a IA. Qual parte de todos esses documentos será que foram realmente originais?

Não sei. Mas acredito que isso seja irreversível.

Becky Korich escreveu na coluna da Folha:

Não se trata de uma revolução das máquinas arrancando de nós a capacidade de decidir. Seria mais fácil resistir a isso.

É uma servidão confortável que se instala na rotina com voz mansa. Aquela que não nos cala, apenas fala antes que o silêncio nos obrigue a pensar. E, de tanto facilitar, vai nos viciando a procurar atalhos.

A droga não é a ferramenta em si. É usá-la, não para pensar melhor, mas para não precisar pensar.

No fim, a escolha não é de abdicar desse conforto, mas saber resistir a ele quando a alma precisar de intervalo para encontrar a sua voz.

IA pode incentivar delírios psicóticos

Essa matéria da Folha destacou algumas conclusões de um estudo da Universidade Stanford, em conjunto com outras instituições, como Harvard, Universidade de Chicago e Carnegie Mellon:

Os chatbots podem incentivar e alimentar delírios que são típicos de quadros psicóticos, indica um estudo inédito baseado em centenas de milhares de mensagens reais trocadas entre pacientes psiquiátricos e robôs. Além disso, os modelos de linguagem falham nos momentos em que deveriam desencorajar pensamentos suicidas e de violência contra si ou outras pessoas.

(…)

Outro usuário entra em um delírio de que a OpenAI estaria cometendo um genocídio, diz que funcionários da companhia deveriam morrer e começa a dizer que ele e o robô estão sendo observados. A pessoa morre por suicídio durante a interação.

Eu não consigo imaginar que não exista uma forma de impedir qualquer resposta da IA que se refira a isso. Ela simplesmente precisa parar de responder quando um usuário entrar em qualquer assunto desse tipo.

E se alguém me disser que isso não é possível, quer dizer que é uma tecnologia sem controle. Em outras palavras, os humanos criaram um monstro que está matando outros de sua espécie.

E se houver (estou esperando) algum enorme benefício para a humanidade, no mínimo deve ser uma tecnologia restrita.

Olha só que revelador. Essa matéria do Tecnoblog mostra que as Big Techs não querem que seus funcionários usem a IA de terceiros. Por exemplo, funcionários da Meta não devem usar a IA da Anthropic. O mesmo acontece com os funcionários da Microsoft, que só podem usar o Copilot.

Isso é a prova que as Big Techs sabem que os serviços de IA podem ser um meio de espionagem industrial. Em outras palavras, roubam informações de outras empresas e pessoas.

Você ainda acredita que nossos dados e informações são realmente “privados” e “ninguém tem acesso”?

IA: uma corrida armamentista

Acabei de assistir este ótimo documentário/reportagem sobre a Anthropic. Ele tem apenas 40min e foi produzido pela Bloomberg. Está disponível inclusive com uma faixa de áudio em português, e com legendas, no YouTube.

Eu não sei se o propósito dele foi assustar, mas foi assim que me senti: impotente e desolado.

Na minha opinião, o documentário mostra que basicamente o mundo está nas mãos de alguns poucos “conquistadores da tecnologia”, como afirma Giuliano Da Empoli. E mais uma vez eles estão no Vale do Silício (= Estados Unidos).

Esses conquistadores, até mesmo aqueles que se dizem mais éticos - o caso da Anthropic - estão lavando as mãos. Se algo de muito ruim acontecer, o problema não é deles. Basicamente, foi essa minha interpretação do documentário.

Dario Amodei, o fundador genial (não veja como algo bom), afirma que existe uma probabilidade de até 25% da civilização colapsar. Mas eles não param, não cessam seu desenvolvimento e não colocam limites.

Enquanto os conquistadores estão em uma corrida de quem faz a IA mais potente, os países estão na corrida de quem vai tomar esse controle primeiro.

Sabe a bomba atômica? Eu acho que se assemelha a isso. Dario Amodei afirma inclusive que se vê como um dos cientistas do Oppenheimer, e confessa ser fã do livro sobre a criação da bomba atômica. Ele crê que vai mudar o mundo com sua criação.

Mas eu vejo uma diferença em relação a bomba atômica: muitos de nós estão felizes e estupefatos em estar gratuitamente enriquecendo esse urânio.

Ainda do livro A Hora dos Predadores:

O poder da IA não tem nada de democrático nem de transparente. Mais do que artificial, a IA é uma forma de inteligência autoritária, que centraliza os dados e os converte em poder. Tudo isso em meio à mais absoluta opacidade, sob o controle de um punhado de empreendedores e cientistas que cavalgam o tigre torcendo para não ser devorados.

Giuliano Da Empoli sobre os óculos de realidade aumentada:

Chegamos, então, ao ponto final. Controlada pelos oligarcas da tecnologia, a interface à qual decidimos entregar nossa relação com o mundo sai de nossos bolsos e se funde a nossos corpos, antecipando nossos desejos antes mesmo de termos tempo de formulá-los.

Trecho do livro A Hora dos Predadores

Trecho de uma matéria no Techcrunch

O corte de investimentos da Uber levanta uma questão mais ampla que o setor de tecnologia enfrenta atualmente: à medida que as empresas investem pesado em IA, onde está exatamente o retorno sobre o investimento? De fato, o ROI da IA tem permanecido, até agora, um fenômeno amplamente teórico que todos esperam que eventualmente se materialize — embora algumas empresas estejam obviamente ficando um pouco inquietas enquanto esperam.

(Tradução: Google Tradutor)

Comentei recentemente sobre a bolha de IA

Sobre a Bolha de IA

Página de um artigo jornalístico sobre a Anthropic captando US$ 65 bilhões em uma nova rodada de financiamento, superando a avaliação da OpenAI.

Alguns dizem que estamos numa Bolha de IA, outros afirmam que não, porque existem aspectos diferentes, como por exemplo os investimentos estarem concentrados em grandes empresas já consolidadas da área de Tecnologia.

Não sou especialista no assunto, então minha opinião não vale nada. Mas ainda sim vou emiti-la apenas para consultá-la no futuro e ver o quanto errei (mais provável) ou acertei.

Mercado Financeiro

Uma coisa é fato: o mercado financeiro é baseado na especulação, é na expectativa que algo vai ocorrer de bom ou de ruim.

Essa matéria da Folha cita por exemplo a “receita anualizada” da Anthropic que é uma EXPECTATIVA de crescimento de receita baseada na receita de curto prazo.

Mesmo na bolsa brasileira já vimos empresas especulativas (alô Eike Batista) que não apresentaram nada do que prometiam entregar. E uma coisa muito comum nesses tipos de empresas é uma expectativa extraordinariamente rápida de crescimento.

O problema (e solução) é que o mundo real é mais lento que o mercado financeiro. O resultado real, o lucro real, demora para acontecer. Não tem segredo, o lucro é o resultado da receita real menos despesa real.

Então quando se tem um crescimento de expectativa extraordinariamente rápido, já existe um descompasso com o mundo real. Não tenho aqui os dados, mas empresas como a Anthropic ou OpenAI devem ter triplicado ou quadruplicado de avaliação em cerca de 2 a 3 anos. Isso não é normal para o mundo real.

Problemas

Malefícios para o ser humano de diversas ordens vêm acontecendo por conta do uso da IA. Existem casos de pessoas que perderam o descolamento da realidade, por conta da linguagem excessivamente elogiosa e superestimada da IA.

Existem pessoas que fazem IA-terapia, menosprezando o trabalho real e importante de psicólogos.

Já li sobre agentes de IA que realizaram diversas ações para atacar a reputação de uma pessoa real.

Todos sabem o consumo de recursos naturais que a IA necessita. Recursos esses finitos, só para lembrar.

Acho que o pronunciamento do papa resume esse conjunto de problemas (sou católico, mas nem de longe considero o papa um ser superior).

Em algum momento (espero que aconteça) o uso da IA precisará ser regulamentado, porque problemas de seu uso já estão acontecendo.

Quando essa regulamentação acontecer, as empresas serão contra (óbvio) porque de certa forma vai “limitar seu crescimento exponencial”. Mas será o mundo real começando a aparecer.

Ponto de Equilíbrio

A IA veio para ficar. Ela vai continuar existindo, mas não acredito que ela vai apresentar resultados reais do tamanho que a expectativa e o mercado financeiro estão indicando que vai.

Em algum momento, esse ponto de equilíbrio vai chegar, e aí sim será o mundo real em funcionamento.

Na verdade, estou esperando ainda uma grande boa notícia. Uma enorme contribuição da IA para a sociedade. Talvez apareça na ciência daqui a alguns meses.

É isso. Ousei manifestar minha opinião de algo tão recente, só o tempo vai mostrar o quanto errei.

Interessante artigo da Folha, escrita por Marcos de Vasconcellos, mostra que os resultados econômicos reais da IA estão nas empresas que oferecem a infraestrutura para que ela seja executada (chips, nuvem, etc).

Por outro lado, muitas das empresas que prometem que a IA vai gerar um aumento absurdo de produtividade e redução de custos, já estão sofrendo ações coletivas de investidores que não estão vendo resultados reais de eficiência.

Apesar de ser um crítico da IA (ou melhor, da forma como algumas pessoas a usam), eu utilizo com frequência. Vou fazer um post mostrando as formas com que mais uso.

2026 será o ano do workslop.

Workslop = termo que une “work” (trabalho) e “slop” (algo malfeito/lixo) para descrever conteúdos gerados por IA que parecem polidos, mas são superficiais, repetitivos ou imprecisos. Esse fenômeno cria “lixo de IA” no ambiente corporativo, exigindo quase 2 horas de retrabalho para correção por ocorrência e reduzindo a produtividade.

IAdversidades

Está claro que a IA generativa é uma das principais tecnologias das últimas décadas. Comparado talvez à popularização dos computadores pessoais, ou à criação da internet. Não se pode lutar contra isso. Já é um fato.

Porém, será que essas ou outras tecnologias (fogo, motor à combustão, energia elétrica, etc.) vieram com tantas adversidades como está acontecendo com a IA?

Soube de mais uma agora: a produção em massa de músicas feitas por IA que estão invadindo as plataformas e fazendo com que os ouvintes não saibam distinguir entre o que é humano ou não.

E, com isso, as plataformas tentando identificar ou impedir que isso aconteça. Na mesma matéria, cita que a Taylor Swift fez um pedido de registro de marca da sua voz e imagem, porque a IA e as pessoas estão praticamente tentando roubar isso dela.

Sim, eu ouvi aquele hit do início do ano que era uma versão traduzida da música dela. Não sei quantas mais surgiram. A música era ruim? Não. Mas o que dá o direito de alguém fazer essa cópia e versão sem a autorização dela?

Selo EntreBlogs 2.0