Instagramável

Herman escreveu em seu Blog sobre a mercantilização de viagens:

Como acontece com muitas coisas, culpo as redes sociais. Elas transformaram as viagens de uma exploração em uma demonstração de status social. Comecei a pensar nisso há alguns anos, enquanto visitava algumas cachoeiras na Indonésia. Adoro me divertir em cachoeiras, mas todas elas eram apenas filas de pessoas esperando para tirar fotos embaixo da queda d’água, e depois tinham que sair do caminho para os próximos visitantes. Nada de se divertir! As pessoas precisam curtir essas cachoeiras! (Tradução livre)

Concordo muito com o Herman. Isso sempre me incomodou. E vejo isso acontecer a todo momento, não porque faço muitas viagens, mas porque eu observo que a foto/vídeo se tornou há muito tempo mais importante que a experiência.

As pessoas vão a mirantes apenas para tirar a foto, não para observar e apreciar aquela paisagem. Tanto é que tiram a foto e vão embora.

As pessoas vão a shows e ficam com os dois braços levantados durante todo o show. Não é para curtir a música ou aquela experiência incrível, é apenas para registrar e, possivelmente, postar.

Chegamos ao limite de ter lugares que se chamam “Instagramável”. Uma vez vi um balanço Instagramável. Não é para a criança balançar, ele não serve para isso, serve apenas para postar no Instagram.

P.S.: Escrevo esse post enquanto estou numa viagem e, sinceramente, não tenho a menor vontade de postar fotos dessa viagem aqui. Espero que entenda.

Onde foi que erramos para deixar o Feed RSS de lado e ir para redes sociais? É livre, fácil, prático e gratuito. Mas por que saímos? 🤔

Youtube e Consumismo

Já comentei aqui que voltei a ler HQs. Esse é um hobby cíclico: comecei na adolescência, parei por muitos anos, retornei há cerca de quatro anos e, agora, retomei novamente. Sim, eu sou estranho… mas esse não é o ponto.

Venho observando que, sempre que inicio ou retomo algum interesse, passo a acompanhar canais no YouTube sobre o tema. Inevitavelmente, isso me leva a comprar coisas: HQs, filmes em mídia física, jogos, entre outros.

Até aí, tudo bem, certo? É um hobby e, felizmente, não se trata de uma compulsão. No entanto, tenho refletido sobre como esses canais podem estar contribuindo para o consumismo e quais são as razões por trás disso.

Estantes

Na maioria dos canais sobre quadrinhos, o cenário de gravação conta com uma estante ao fundo, repleta de títulos americanos, mangás, heróis e edições europeias. Nos canais de colecionismo de filmes, o padrão se repete, trocando o papel pelo plástico dos DVDs, Blu-rays e até VHS. Recentemente, descobri que esse padrão também domina o BookTok — nicho do TikTok focado em literatura.

Portanto, há um padrão estético consolidado que transmite uma mensagem subliminar:

“Você precisa ter uma estante assim” ou “Este é o objetivo a ser alcançado”.

Não digo que os influenciadores façam isso de forma proposital; talvez seja apenas um formato que se convencionou. Porém, é inevitável traçar um paralelo com os padrões de beleza: cria-se um “corpo ideal” para a coleção, e qualquer coisa diferente disso é vista como insuficiente ou errada.

Compras do mês

Outro quadro recorrente são as “Compras do Mês”, “Aquisições”, “Unboxing” ou “Bookhaul”. É bem comum ver nesses canais os youtubers exibindo dezenas de novos títulos de uma só vez.

A questão é que, muitas vezes, não sabemos se eles realmente compraram aquelas obras. Muitos recebem o material das editoras e, na minha opinião, não deixam isso claro. Usam termos como “recebemos” ou “a editora enviou”, mas raramente ouço algo direto como: “Pessoal, não paguei por este livro; é uma divulgação”.

Além disso, há o agravante de que alguns influenciadores não leem as obras que recomendam, como se vê nesses dois vídeos (1 e 2).

Grupos de promoção

Uma fonte de renda comum para esses canais são os grupos de promoção no Telegram ou WhatsApp, onde compartilham links de afiliados. Muitas vezes, a divulgação foge do nicho do canal; conheço canais de games que anunciam até produtos para bebês.

Como em qualquer link de afiliado, o influenciador ganha um percentual sobre a venda. Em outras palavras: quanto mais os inscritos compram, maior é a recompensa do influenciador.

Consumismo

Acredito que esses fatores impulsionam uma cultura de consumo em que compramos o que sequer conseguimos apreciar. O foco passa a ser comprar para ter a “estante do vídeo”, para aproveitar a promoção ou para postar na rede social. É comprar para ter, ou para mostrar que tem.

Não pretendo ser alarmista, mas convido você a refletir: esse tipo de conteúdo tem influenciado o seu comportamento de compra? Você está comprando por interesse genuíno ou apenas replicando o que vê no Youtube, TikTok e afins?

Como citado na matéria da Folha, são como empresas de tabaco, que lucram com o vício e problemas de saúde de seus usuários. E a razão que utilizam para fazerem isso, é a famigerada “liberdade de expressão”.

Decisão importantíssima.

Tiktokzação

Não sei como as pessoas conseguem gostar de vídeos curtos em rolagem infinita, como o Tik Tok, e a tiktokzação das demais redes sociais.

Sinto que a cada troca de vídeo meu cérebro desligasse e ligasse para receber e entender um novo conteúdo. Como um interruptor ligando e desligando a cada poucos segundos, centenas de vezes.

Eu acho que nosso cérebro precisa de concentração em uma atividade, ele precisa entrar no “flow”, é assim que ele é capaz de fazer coisas incríveis. É por isso que atividades como ler um livro, escrever um texto médio/longo, pintar um quadro ou realizar uma atividade manual, são atividades benéficas para nosso cérebro.

Talvez, com o tempo, a tiktokzação vai nos deixar cada vez mais ansiosos, impacientes e incapazes de se concentrar em uma aula, uma peça de teatro ou um filme. A concentração será limitada a 15 segundos em qualquer atividade, e talvez nosso cérebro vai perder a capacidade de entrar no “flow”.

Por que estou migrando (temporariamente?) do Bear Blog para o Micro.blog.

Não tenho reclamações ou críticas relevantes em relação ao Bear Blog; utilizei a plataforma por cerca de 75 dias, mas, ainda assim, decidi migrar. Neste post, pretendo detalhar algumas razões da mudança e como está sendo esse processo.

Aprimorar o fluxo de publicação

Já compartilhei aqui no blog como funciona o meu fluxo de publicação. Quero neste blog ter uma escrita mais livre, sem regras rígidas de como escrever um post de blog. E também procuro ter uma frequência maior de postagens.

Para alcançar essa constância, a melhor estratégia para mim é escrever diretamente pelo celular.

No Bear Blog, como não tem aplicativo para celular, é preciso fazer diretamente pelo navegador. No meu caso, percebi que fazer isso pelo navegador não estava tão fluido. E senti falta de um aplicativo próprio.

Quando perguntei ao Herman sobre a possibilidade de ter uma aplicativo próprio, ele me respondeu dizendo que não tem planos para isso, porque é preciso lidar com outra base de dados.

Para quem não sabe, o Bear Blog é um projeto de um homem só (solo dev). Portanto, sua resposta é totalmente compreensível. Mesmo assim, essa vontade de publicar via app não deixou de existir.

Distribuição dos posts para redes sociais

Influenciado pelo conceito POSSE passei a adotar o meu Blog como minha principal rede social.

Ainda no Bear Blog, descobri o serviço Mastofeed. Ele faz a publicação automática dos posts do Blog em uma conta do Mastodon. É um serviço gratuito. Porém, essa distribuição dos posts demorava algumas horas para acontecer. E gostaria que fosse um pouco mais rápida.

A publicação seguia a regra título + link para o post. Ou seja, mesmo para os micro-posts, o usuário do Mastodon precisaria clicar no link para ler a postagem. Para esse tipo de post, apenas a transcrição do texto talvez seria suficiente.

Além disso, no futuro, gostaria de ter a possibilidade de vincular outras redes sociais.

Plataformas alternativas

Existem diversas plataformas de Blog, mas eu pensei em 3 alternativas: Blogger, Wordpress ou Micro.blog.

O Blogger eu testei por algumas semanas, tem aplicativo para celular, mas ele parece desatualizado demais, quase uma plataforma esquecida e com design ultrapassado. E teria o mesmo problema com a distribuição nas redes sociais.

O Wordpress, por outro lado, tem um caminhão de recursos. Eu nunca testei usar o Wordpress pelo celular, até então no meu outro blog eu só publicava pelo PC mesmo. E, sinceramente, até pouco tempo achei que não tinha como usar o aplicativo para o Wordpress.org, mas parece que tem.

Em relação à publicação nas redes sociais, descobri pelo canal do Vladimir Campos que tem um Plugin do Activity Pub para a publicação nas redes. Portanto, o Wordpress seria uma opção. Por outro lado, fico com a sensação que estaria dirigindo uma carreta para percorrer uma distância de 2 km.

Micro.blog

Pensando nessas alternativas, o Micro.blog parecia ser a solução mais viável. Tem um aplicativo para Android e possui uma função nativa de publicação em diversas redes sociais.

Quando criei a conta básica e vinculei ao Mastodon, vi que a distribuição dos posts para o Mastodon era praticamente instantânea. Um micro-post aparece de forma integral, como se redigido direto no aplicativo do Mastodon. Se ultrapassa um número X de caracteres, é inserido o link da postagem.

Baixei o aplicativo para celular. É simples, mas tem o essencial para publicar rapidamente, ver a timeline, as menções que recebi e descobrir postagens de outros usuários.

A propósito, hoje descobri que o aplicativo permite facilmente compartilhar trechos de páginas da web. Ao selecionar o texto e compartilhar via aplicativo, o trecho é copiado em formato citação (markdown) e com o link daquele página. Ou seja, melhora o fluxo de publicação dos micro-posts em que compartilho links e artigos interessantes que encontrei.

Por fim, o Micro.blog tem plugins que adicionam recursos ao Blog e diversos temas interessantes - aliás, tem um tema que imita/homenageia o design do Bear Blog.

Testar a migração de posts entre plataformas

Eu também gostaria de experimentar como seria a migração de posts entre plataformas, no caso do Bear Blog para o Micro.blog. Queria fazer isso antes de chegar a um número muito grande de postagens que tornasse muito difícil de fazer isso de forma manual.

E fiquei muito satisfeito com o procedimento. Primeiro, exportei as postagens do Bear Blog, que gera um arquivo .zip e depois importei esse arquivo através da funcionalidade do Micro.blog. As tags que antes estavam no Bear Blog foram transformadas em Categorias do Micro.blog.

Um possível problema foi que o Bear adotava o formato “domínio/título do post” e o Micro.blog adota o formato “domínio/ano/mês/dia/título do post”, Então, quando fiz a migração o link permanente da postagem foi alterado. Parece que tem como fazer essa alteração de forma manual dentro do Micro.blog, ou usando o Script. Mas, sinceramente, acho que vou deixar assim mesmo, e passar a adotar esse formato.

Até logo Bear

Como eu disse, não tenho grandes críticas ao Bear, Apenas busquei uma plataforma que representasse melhor minhas vontades desse momento. Talvez, em um futuro breve, eu retorno ao Bear. É uma das maravilhas dos Blogs, vou para onde quiser e levo os meus posts comigo.

Por sorte, o Herman permite acompanhar as postagens da comunidade Bear através de feeds do Discovey. Então, posso continuar acompanhando e conhecendo uma diversidade de blogs legais que aparecem por lá.

Quer comentar este post? Fique à vontade para entrar em contato por e-mail ou pelo Mastodon.

Blog: a melhor rede social

Em 2023/2024, optei por não dar continuidade ao meu antigo Blog. Uma das principais razões para isso, foi porque não tinha a consistência que eu queria. E, se não conseguia publicar, então preferi parar de pagar a hospedagem e o domínio.

No final de 2025/início deste ano, decidi criar um novo blog (e um novo domínio) para ser um repositório dos textos do meu antigo Blog. Infelizmente, eu não tinha feito um backup de posts, mas a maioria deles estavam no meu Google Drive / Google Docs, porque escrevia lá primeiro.

Experimentei, então, por alguns dias o Blogger - uma plataforma gratuita. Ele tem boas vantagens, mas acredito que seu design antiquado, associado a falta de suporte e atualização por parte do Google, me fizeram procurar outras alternativas.

Com isso, cheguei ao Bear Blog. Acredito que foi aí que as coisas mudaram.

Bear Blog

O Bear é uma plataforma totalmente minimalista, desde a forma de publicar, até o design para os leitores e usuários. Contudo, seu maior benefício é a sua comunidade.

Por exemplo, existe um festival de postagens chamado Bear Blog Carnivals. Cada mês tem um tema específico, e a cada mês um(a) Blogueiro(a) é o host daquele tema.

A comunidade também está sempre desenvolvendo novas ferramentas e scripts que possam ser aplicados no Bear. Sejam temas, banners, plugins, e até alterações no Dashboard.

Contudo, o que considero genial no Bear é o Discovery, uma espécie de Trading Topics + Feed de todos os posts publicados no Bear.

Acho que foi aí que meus textos foram encontrados. E passei a receber diversos depoimentos de pessoas reais que chegaram no meu blog, gostando da simplicidade e dos textos que publico. Isso foi muito gratificante.

Pessoas como o Michael, o TH, o Guilherme e a Luciana.

Rede Social

Esse nível de contato eu ainda não tinha experimentado em plataformas de redes sociais. Em geral, quem me segue por lá, são as pessoas que conheço “fisicamente”.

Portanto, considerando que talvez o principal objetivo de uma plataforma de rede social seja encontrar novas pessoas, com interesses comuns, meu Blog está sendo minha melhor rede social.

Lembra da consistência que citei no início? Achei que uma boa forma de aumentar essa frequência de postagens seria fazendo micro-posts. Pequenos comentários, opiniões rápidas e sentimentos do momento. O que seria um Tweet, agora publico no Notas, sem regras rígidas, apenas meu espaço de reflexão.

Mastodon

Não posso negar que o Mastodon também tem sido um espaço acolhedor e de descoberta. Ele tem sido o substituto do meu Twitter. Porém, com mais autonomia.

Boa parte que publico lá é uma republicação automática do meu post do Blog, incluindo os micro-posts, com as mesmas tags que uso nas postagens.

O Mastodon também tem sido um espaço de comentários, que o Bear Blog nativamente não permite. Então, qualquer post que publico, você pode me responder por e-mail ou comentar publicamente pelo Mastodon.

Aliás, é bem curioso eu ter recebido diversos comentários, justamente em uma plataforma que não permite comentários.

Seguir

“Mas como seguir um Blog?”. Há alguns anos, eu recebi essa pergunta de uma amiga. E talvez você tenha chegado aqui com a mesma pergunta. É muito simples, basta você ter um aplicativo Leitor de RSS.

O Vladimir fez um vídeo recente sobre o RSS, ninguém melhor que ele para explicar.

Por fim, obrigado por estar aqui, no meu cantinho na internet, e reservar um tempinho para ler o que escrevo.

Quer comentar este post? Fique à vontade para entrar em contato por e-mail ou pelo Mastodon.

Selo EntreBlogs 2.0