Youtube deixou de ser um espaço legal

Estou há cerca de 15 dias consumindo vídeos do Youtube de uma forma bem esporádica. Durante os primeiros 7 dias me afastei totalmente, fiz como um desafio, um experimento. Mas, passados os 7 dias, continuo sem vontade de estar lá, assisto um ou outro vídeo que realmente quero muito ver - e não posso ver em outro lugar.

Nesse post, vou comentar as razões desse afastamento.

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muitos anos o Youtube se tornou um hábito, onde me inscrevo e acompanho canais de assuntos que eu gosto e, verdade seja dita, onde já aprendi coisas legais também. O que para muitos brasileiros e brasileiras é a TV aberta, para mim é o Youtube.

Contudo, de uns meses para cá, o sistema de anúncios do Youtube se tornou algo para mim extremamente irritante. Os anúncios são muito, mas muito repetitivos.

Não consigo entender a estratégia de marketing por trás disso, já que essa repetição só me faz ficar com ódio daquela marca, e não incentivar meu consumo. Se um anúncio gera esse tipo de emoção, ele só pode ser no mínimo uma falha de marketing.

Além disso, existem anúncios que no meu caso são um erro de direcionamento. Por exemplo, tem um anúncio de uma marca de produtos para pele que passa para mim há MESES. A questão é que eu não sou um usuário de produtos para pele, exceto protetor solar (que uso até menos do que deveria).

Ora, se anúncios são um problema, você pode então dizer: assina o Premium.

Essa é a questão. Eu não vou assinar uma plataforma que está me obrigando a assinar. Ela precisa me convencer que é bom, não me deixar completamente irritado com seu sistema de anúncios.

Ontem, por exemplo, fui tentar ver um vídeo, e apareceu o mesmo anúncio que há MESES eu recebo. Eu simplesmente saí do aplicativo, porque não suporto mais olhar para esse anúncio.

Rede social

Por ser uma pessoa que nunca gostou muito de rede social, eu costumava acreditar que o Youtube não era uma rede social, e sim uma plataforma de vídeos. Me enganei. O Youtube é uma rede social.

Nele, estão todas as características presentes em todas as redes sociais:

  • Retenção da atenção
  • Feed infinito
  • Engajamento
  • Bolha
  • Anúncios
  • Mais retenção da atenção
  • Mais anúncios
  • Mais bolha

O ciclo infinito desenhado e construído para nos prender a ele por mais tempo possível. Quanto mais tempo estamos nele, mais o Google se torna lucrativo. Cal Newport, em seu livro Minimalismo Digital, nos lembra disso:

as novas tecnologias que emergiram na última década são particularmente adequadas para estimular os vícios comportamentais, fazer as pessoas usá-las muito mais do que julgam ser útil ou saudável. De fato, como revelado por informantes e pesquisadores como Tristan Harris, Sean Parker, Leah Pearlman e Adam Alter, essas tecnologias são, em muitos casos, especificamente projetadas para desencadear esse comportamento dependente. O uso compulsivo não resulta de uma falha de caráter, mas da realização de um plano de negócios significativamente lucrativo.

Mais a frente no livro, Cal também compara o valor de mercado de empresas como o Google e Facebook, com empresas de petróleo como a Exxon Mobil. Enquanto o Google valia algo como 800 bilhões de dólares, a Exxon Mobil valia 370 bilhões. Ou seja, a extração de minutos do globo ocular se tornou mais lucrativa que a extração de petróleo.

Indústria e Criadores

Esse ciclo infinito é perverso porque leva os “criadores” a seguirem essa roda de hamster. Por exemplo, há algumas semanas ouvi de um youtuber de um canal grande de quadrinhos: “esse quadro acabou porque o engajamento não tava bom”.

Isso é criação? Não, é indústria. Como um produto que vende pouco, e a fábrica encerra sua produção. Se um quadro de um canal não engaja, não tem anúncio, se não tem anúncio ele precisa ser encerrado.

Exceto algumas exceções (como o VCP 2.0 do Vladimir Campos), a vontade de se expressar, de compartilhar, de ajudar o outro, de fazer um relato sincero, não existe mais. TUDO é feito para engajar, reter e monetizar. É a pejotização da pessoa física.

Com isso, me pergunto: será que os “criadores” não são, na verdade, gerentes dessa fábrica?

Independência

Nesse período em que estou buscando alternativas e mudanças de hábito, percebo que uma possível solução seria em algum futuro próximo os “criadores” se dedicarem a protocolos ou meios independentes de distribuição de seus vídeos. Ao menos, se tornariam parcialmente independentes de uma única plataforma.

Vejamos, por exemplo, os podcasts - que aliás o citado VCP 2.0 também é. Se eu não gosto do Spotify, posso ouvir o mesmo conteúdo no Deezer, ou Apple Podcasts, ou qualquer outro reprodutor de podcasts. O autor e o consumidor estão livres para postar/ouvir onde quiser.

É exatamente o que estou fazendo no Spotify, como alternativa para sair daquele espaço irritante que se tornou o Youtube. Alguns pouquíssimos canais também postam no Spotify os vídeos. Pelo menos, é uma alternativa.

Talvez essa seja a solução. Não é só trocar a plataforma, mas ser possível distribuir o mesmo vídeo em diversas outras, como é o podcast.

Isso também já acontece há décadas nos Blogs. Eu posso ler qualquer blog no navegador que eu quiser, não estou preso a nenhum deles. Fora que posso ler em leitores RSS. Ou seja, o local em que leio é completamente livre, de minha escolha.

Muito provavelmente, os anúncios continuarão existindo, contudo, eles serão restritos aquele autor/produtor. E, talvez, ainda seja mais vantajoso para ele, já que nenhuma parte dessa receita (ou a sua quase totalidade) vai apenas para uma única empresa: o Google.

Acabei de fazer pequenas mudanças no design do Blog 🙂 Você que está no X/Instagram/TikTok quero ver fazer isso 😜

F1: O Filme (2025)

Bom filme. A qualidade da imagem e de som é impressionante. Com pequenas aparições dos pilotos reais.

O roteiro não é ruim, mas previsível em diversos aspectos. Mesmo assim, o carisma de Brad Pitt nos faz torcer pelo personagem.

Nota: 3,0

Taken

Um aperitivo da falta de privacidade que temos hoje na internet.

Tem horas que saber a verdade é um tapa na cara.

The Boring Internet

Um dos artigos mais esperançosos sobre tantas mudanças aparentemente ruins que vem acontecendo nos últimos anos.

Jogo do Flamengo paralisado por falha na segurança no estádio na Colômbia. Que pataquada da CONMEBOL e autoridades locais.

Visite o Lerama

No post sobre o Bubbles comentei que ele poderia ter um ranqueamento em outros idiomas. Quando compartilhei com a galera do Entreblogs, recomendaram o Lerama, iniciativa do Manual do Usuário, que reúne diversos blogs e newsletters, totalmente PT-BR. Muito legal! Vale a visita.

Capa de um DVD do Jimi Hendrix com uma foto dele usando uma bandana verde.

Chegou na coleção. Um dos últimos shows antes dele morrer. Onde comprei: sebo.

Muito depois que eu esperava (na verdade, não é tão incomum, outra hora eu conto) terminei o livro do Manton.

Recomendo a todos que estejam reativando ou começando seus blogs, e que estão percebendo o quanto estamos perdendo para redes sociais massivas (Facebook, Twitter, Instagram, TikTok, etc.).

Pretendo fazer um post com comentários sobre o livro. 🤞

Visite o Bubbles

Acabei de encontrar esse incrível site: Bubbles. Um lugar que é uma espécie de Reedit apenas de blogs pessoais e independentes. Ele é bem recente, foi criado em março/2026.

Tem blogs separados por categorias, uma espécie de newsletter, que é um feed diário com o que foi mais votado. Vou me perder navegando por ele.

Só poderia ter uma coisa: o ranqueamento de blogs em outros idiomas, como tem no Bear. Pelo que vi tem um em alemão, e o principal em inglês. Quem sabe no futuro.

No mesmo dia em que escrevi que gosto de ficar navegando por novos blogs, Manton também escreveu:

Algumas pessoas preferem uma presença online mais discreta, e eu entendo perfeitamente. Raramente escrevo sobre minha família no blog, preferindo manter esses pensamentos em um diário pessoal. Mas, sinceramente, nada supera um blog para construir um registro online ao longo de anos e décadas.

Adoro descobrir um blog e perceber que posso navegar pelo arquivo de posts antigos. Na era da sobrecarga de informações e da desorganização, esse tipo de consistência é mais difícil de fingir. (Tradução livre)

Também não me sinto confortável em escrever sobre minha família. Inclusive, acabei apagando um post recente que fiz.

É bom saber que a pessoa que criou o Micro.blog, a plataforma que decidi usar no momento, pensa de forma semelhante a mim. Claro que não em tudo.

Auto-generated description: Dois personagens de uma série de TV estão interagindo, com um deles fazendo um gesto em direção à cabeça do outro.

Estamos em 2026 e ainda passa o Chaves no SBT 😅. Chaves será eterno.

Navegar é preciso

Às vezes me perco navegando por um novo Blog que não conhecia, vendo a estrutura do menu, das páginas que tem, de alguns posts, etc. Foi o que acabei de fazer com esse aqui. E logo já tenho vontade de copiar 😅.

A propósito, se você nasceu nos anos 2000, talvez não saiba mas o termo “navegar” era sinônimo de usar a internet, de visitar sites, ler notícias online, etc.

Tanto que exista uma política pública na minha cidade chamada de “Navegar é preciso”. Era uma política destinada a oferecer computadores públicos para o cidadão usar a internet, já que a maioria não tinha esse acesso.

20 anos depois 90% da população tem a internet no bolso. Ainda que para muitas pessoas internet seja sinônimo de whatsapp ou Facebook/Instagram.

IAdversidades

Está claro que a IA generativa é uma das principais tecnologias das últimas décadas. Comparado talvez à popularização dos computadores pessoais, ou à criação da internet. Não se pode lutar contra isso. Já é um fato.

Porém, será que essas ou outras tecnologias (fogo, motor à combustão, energia elétrica, etc.) vieram com tantas adversidades como está acontecendo com a IA?

Soube de mais uma agora: a produção em massa de músicas feitas por IA que estão invadindo as plataformas e fazendo com que os ouvintes não saibam distinguir entre o que é humano ou não.

E, com isso, as plataformas tentando identificar ou impedir que isso aconteça. Na mesma matéria, cita que a Taylor Swift fez um pedido de registro de marca da sua voz e imagem, porque a IA e as pessoas estão praticamente tentando roubar isso dela.

Sim, eu ouvi aquele hit do início do ano que era uma versão traduzida da música dela. Não sei quantas mais surgiram. A música era ruim? Não. Mas o que dá o direito de alguém fazer essa cópia e versão sem a autorização dela?

Chegou na coleção: abril/2026

Esse é um registro dos itens que comprei no mês, e uma forma de fazer um avaliação um pouco mais objetiva, e saber se estou comprando mais do que deveria. De maneira nenhuma, quero ampliar o seu consumo e, por isso, não tem nenhum link afiliado.

Auto-generated description: Há uma pilha de DVDs e livros, incluindo títulos como Samurai X, The Ghost in the Shell e Preacher.

HQ’s 📚

The Ghost in the Shell 2.0 | JBC

Shirow Masamune

Estava em promoção na Livraria Leitura na minha cidade, e como estou em busca de títulos com poucos volumes, decidi comprar. Depois vou adquirir o primeiro volume, que é a obra principal. A animação é excelente, também gosto do filme em live-action, então quero conhecer a obra original.

1903: Orwell | Darkside

Pierre Christin e Sébastien Verdier

A HQ é uma biografia de George Orwell, e como gosto de biografias, me interessou. Também estava em promoção na Livraria Leitura.

Meu amigo Dahmer: estudando com um serial killer | Darkside

Derf Backderf

A obra traz o perfil do psicopata Jeff Dahmer quando ele ainda era um aluno do ensino médio, e na visão do autor, Derf Backderf, que estudou com ele.

Adorei o Eu, Lixeiro também do Backderf e já queria comprar essa HQ há bastante tempo. Comprei na Amazon.

Absolute Mulher-Maravilha - Vol. 3 | Panini

Kelly Thompson e Hayden Sherman

Os dois volumes anteriores desse universo absolute da mulher maravilha foram ótimos. Então, pretendo continuar a coleção. Comprei na Amazon.

Asa Noturna - Vol. 1 | Panini

Tom Taylor e Bruno Redondo

Mais uma vez procurando séries com menos volumes, e já que gosto bastante do Batman, e das aparições do Asa Noturna em animações e até naquela série Titãs da Netflix, comprei o primeiro volume da série escrita por Tom Taylor.

Preacher - Vol. 2 | Panini

Garth Ennis e Steve Dillon

Já comentei aqui no Blog que achei fantástico o volume 1 de Preacher. Como tinha comprado o volume 1 e 3 no sebo, então para continuar a história precisava ter o volume 2.

Comprei usado pelo marketplace da Amazon. Quando chegou, percebi que a lombada difere um pouco dos outros volumes. Provavelmente, são edições diferentes. Mas o que importa é o conteúdo.

Rurouni Kenshin: Versão do Autor | JBC

Nobuhiro Watsuki

Junto do DVD que vou comentar em seguida, aproveitei que o vendedor tinha essa versão alternativa do autor de Samurai X, em uma minisérie em 2 volumes, e fiz uma oferta nos dois produtos: DVD + Mangá.

O primeiro volume está usado e em bom estado. O segundo volume ainda lacrado.

DVD e Blu-ray 🎞️

Samurai X: o filme (2012) Samurai X: o inferno de kyoto (2014) Samurai X: o fim de uma lenda (2014)

Keishi Otomo

Assisti o primeiro filme na Netflix, achei bom. As continuações ainda não assiti. Um rapaz estava vendendo - pela OLX - aqui na minha cidade, ainda lacrados. E achei com preço justo. Como estou na vibe Samurai X com o remake do anime - assisti as duas primeiras temporadas - comprei.

CPM 22: ao vivo no Rock in Rio (2016)

Por fim, mas não menos importante, chegou na coleção o primeiro DVD de música/show. É a gravação do show que o CPM 22 fez no Rock in Rio em 2015. Eu estava lá. Em termos de experiência de show, foi o melhor de todos que já assisti.

Por ter sido o primeiro show do Palco Mundo, ainda era possível ficar mais perto do palco. Fiquei mais à direita (de quem vê de frente). Estava um calor doido, muita gente sem camisa (incluindo as mulheres). Sabia cantar todas as músicas que a banda escolheu para o setlist. Foi uma incrível experiência.

E agora tenho esse show em outra perspectiva, pelo menos até durar o disco.

Cães de Aluguel (1992)

Auto-generated description: Capa de DVD do filme Cães de Aluguel com imagens dos personagens e texto em português detalhando a sinopse e informações da edição.

A primeira vez que assisti a Cães de Aluguel foi há pelo menos 15 anos, na época das locadoras, quando eu costumava alugar (com o dinheiro dos meus pais) cerca de três ou quatro filmes por final de semana. Ajudava o fato de meu pai também gostar muito de filmes — um hábito que ele preserva até hoje, se deixar passa o dia todo assistindo.

Alimentar essa nostalgia foi uma das razões que me motivaram a iniciar, no ano passado, uma coleção de filmes em DVD e Blu-ray. Em setembro, adquiri um pequeno lote de filmes usados do Quentin Tarantino, que incluía este seu primeiro longa, lançado em 1992.

Produzido de forma independente e com baixo orçamento, o filme de estreia de Tarantino já apresenta suas marcas registradas: diálogos longos, repletos de referências à cultura pop e com um tom sutil de comédia.

A cena de abertura, por exemplo, é uma conversa em um bar onde os personagens principais, sentados em círculo, debatem o significado da música Like a Virgin, da Madonna. Em um dos extras do DVD — uma entrevista de 14 minutos —, Tarantino explica sua visão: para ele, criminosos não falam sobre maldades o tempo todo, mas sim sobre temas cotidianos, como música, filmes e esportes.

Basicamente, a história foca no que acontece antes e depois de um assalto, sem nunca mostrar o assalto em si. Violento e com uma cena de tortura icônica, o filme envelheceu muito bem porque sua “tecnologia” são as pessoas (atores) e a intensidade de suas relações.

Tarantino também revela na entrevista que, através de um amigo do amigo do amigo, o roteiro chegou às mãos de Harvey Keitel (o Mr. White). Foi a adesão de Keitel que deu a legitimidade necessária para que o projeto saísse do papel.

É um ótimo filme e mostra que Tarantino já começou sua carreira em alto nível.

Nota (0 a 5): 3,5

Instagramável

Herman escreveu em seu Blog sobre a mercantilização de viagens:

Como acontece com muitas coisas, culpo as redes sociais. Elas transformaram as viagens de uma exploração em uma demonstração de status social. Comecei a pensar nisso há alguns anos, enquanto visitava algumas cachoeiras na Indonésia. Adoro me divertir em cachoeiras, mas todas elas eram apenas filas de pessoas esperando para tirar fotos embaixo da queda d’água, e depois tinham que sair do caminho para os próximos visitantes. Nada de se divertir! As pessoas precisam curtir essas cachoeiras! (Tradução livre)

Concordo muito com o Herman. Isso sempre me incomodou. E vejo isso acontecer a todo momento, não porque faço muitas viagens, mas porque eu observo que a foto/vídeo se tornou há muito tempo mais importante que a experiência.

As pessoas vão a mirantes apenas para tirar a foto, não para observar e apreciar aquela paisagem. Tanto é que tiram a foto e vão embora.

As pessoas vão a shows e ficam com os dois braços levantados durante todo o show. Não é para curtir a música ou aquela experiência incrível, é apenas para registrar e, possivelmente, postar.

Chegamos ao limite de ter lugares que se chamam “Instagramável”. Uma vez vi um balanço Instagramável. Não é para a criança balançar, ele não serve para isso, serve apenas para postar no Instagram.

P.S.: Escrevo esse post enquanto estou numa viagem e, sinceramente, não tenho a menor vontade de postar fotos dessa viagem aqui. Espero que entenda.

Um copo amarelo com tampa branca da McCafé está sobre uma mesa.

Pode não ser o melhor. Mas sempre veio quente e numa quantidade generosa.

Onde foi que erramos para deixar o Feed RSS de lado e ir para redes sociais? É livre, fácil, prático e gratuito. Mas por que saímos? 🤔

Padrões

Estou me perguntando se continuo fazendo os comentários das HQs que leio e dos Filmes/Séries que assisto.

Essa dúvida tem duas razões principais:

1 - Ainda não me decidi se coloco, ou não, qualquer tipo de analytics aqui no Blog. Ou seja, hoje eu não faço ideia do número de visitantes. Só sei que alguém leu se a pessoa comentar ou entrar em contato.

2 - Posts do tipo geralmente são resenhas, mais informativas e completas. E não sei se quero que este Blog vire um Blog de resenhas.

Devido a razão n°1, eu não faço ideia se alguém está gostando desses comentários. Por outro lado, ainda que ninguém esteja lendo, esse tipo de post é um registro do que achei naquele momento, e um lembrete para meu Eu futuro.

Devido a razão n° 2, estou com a sensação de que vai ser mais uma tarefa para meu dia a dia. E não quero agora mais demandas e mais compromissos.

Contudo, a razão n° 2 também está associada a uma falsa necessidade de atender a um padrão. Uma forma mais comum de se fazer resenhas.

E, há poucos dias, escrevi sobre o padrão estético dos canais de HQs.

Por que nos apegamos tanto a padrões? Por que temos uma tendência a copiar o outro?

Talvez, seja o fato do ser humano ser evolutivamente um animal social. Para fazer parte de um grupo, precisamos respeitar regras e padrões.

Talvez, porque um padrão é uma segurança entre as muitas incertezas da vida.

Talvez, porque nosso cérebro gosta de rotina, e um padrão é uma rotina pré-estabelecida.

Na real, eu não sei. No momento, gosto de acreditar que este Blog é uma expressão da minha criatividade (só desenho pessoas como palitos e o máximo de música que consigo fazer é um assovio, só me resta escrever). E, sendo um aspecto de criatividade, o padrão é uma antítese.

Por isso, acho que vou continuar com meus comentários, de modo livre, tentando não me obrigar a seguir certos padrões. E espero que alguém goste.

Mais uma entrevista legal do Pessoas e Blogs:

Um bom blog cresce com você, e você aprende a compartilhar mais sobre si mesmo à medida que avança. (Tradução livre)

Preacher Vol. 1

Auto-generated description: Capa do quadrinho Preacher: A Caminho do Texas, apresentando um homem sorrindo sinistramente com uma igreja em chamas ao fundo.

Sempre ouvi falar de Preacher, mas nunca tinha lido a obra. Há alguns dias, visitei um sebo que gosto de frequentar e encontrei os volumes 1 e 3 da edição em capa dura publicada pela Panini.

O volume 1 foi publicado em 2012 e, apesar dos 14 anos desde o lançamento, a edição está em ótimo estado. Já o volume 3 foi publicado originalmente em 2013, mas a ficha catalográfica desta unidade indica o ano de 2020 — possivelmente uma reimpressão. O estado de conservação, como era de se esperar, está ainda melhor que o do primeiro volume. Como o preço de ambos estava bem atrativo, comprei.

O roteiro, escrito por Garth Ennis, é excelente. É uma história divertida, repleta de ação, mistério e suspense, misturando elementos de religiosidade - em um tom beeemm crítico. É um conteúdo estritamente para maiores de 18 anos, com muitos palavrões e cenas violentas.

Porém, o que me impressionou ainda mais foi a arte de Steve Dillon. Fiquei surpreso ao notar que a publicação original data de 1995; há mais de 30 anos, Dillon já entregava quadros impressionantes e com uma qualidade absurda. Veja abaixo uma dessas páginas:

🚨 Alerta de Spoiler 🚨

Auto-generated description: Um homem com cabelos em chamas é segurado por uma figura feminina de pele vermelha e asas, rodeada por fogo.

A composição do quadro é fantástica. No momento em que Jesse Custer (o protagonista) tem visões do paraíso, Dillon posiciona o anjo e o demônio como se estivessem apoiados sobre a cabeça dele, utilizando o espaço de forma quase tridimensional. Este é apenas um exemplo, a narrativa visual nos quadros menores também é muito bem executada.

Diante de uma obra desse nível, compilada em apenas nove volumes, já comprei o volume 2 para continuar a história e pretendo completar a coleção.

Gosto muito de escrever os posts daqui do Blog. Mas, talvez eu goste ainda mais de criar páginas. Como vocês podem ver, elas não têm nada de especial. Porém, é como se uma página fosse uma criação mais duradoura, permanente ou apenas um jeito de organizar tudo.

Enquanto os posts são pequenas notas, as páginas são os cadernos.

Como a página Notas tinha perdido sua utilidade, pensei que uma página com postagens mais “longas” seria útil. O melhor nome que veio à mente seria Textão. Aí, quando vi uma página semelhante no Blog do Rodrigo Ghedin, então nasceu uma “jurisprudência” e copiei a ideia. 😅

Youtube e Consumismo

Já comentei aqui que voltei a ler HQs. Esse é um hobby cíclico: comecei na adolescência, parei por muitos anos, retornei há cerca de quatro anos e, agora, retomei novamente. Sim, eu sou estranho… mas esse não é o ponto.

Venho observando que, sempre que inicio ou retomo algum interesse, passo a acompanhar canais no YouTube sobre o tema. Inevitavelmente, isso me leva a comprar coisas: HQs, filmes em mídia física, jogos, entre outros.

Até aí, tudo bem, certo? É um hobby e, felizmente, não se trata de uma compulsão. No entanto, tenho refletido sobre como esses canais podem estar contribuindo para o consumismo e quais são as razões por trás disso.

Estantes

Na maioria dos canais sobre quadrinhos, o cenário de gravação conta com uma estante ao fundo, repleta de títulos americanos, mangás, heróis e edições europeias. Nos canais de colecionismo de filmes, o padrão se repete, trocando o papel pelo plástico dos DVDs, Blu-rays e até VHS. Recentemente, descobri que esse padrão também domina o BookTok — nicho do TikTok focado em literatura.

Portanto, há um padrão estético consolidado que transmite uma mensagem subliminar:

“Você precisa ter uma estante assim” ou “Este é o objetivo a ser alcançado”.

Não digo que os influenciadores façam isso de forma proposital; talvez seja apenas um formato que se convencionou. Porém, é inevitável traçar um paralelo com os padrões de beleza: cria-se um “corpo ideal” para a coleção, e qualquer coisa diferente disso é vista como insuficiente ou errada.

Compras do mês

Outro quadro recorrente são as “Compras do Mês”, “Aquisições”, “Unboxing” ou “Bookhaul”. É bem comum ver nesses canais os youtubers exibindo dezenas de novos títulos de uma só vez.

A questão é que, muitas vezes, não sabemos se eles realmente compraram aquelas obras. Muitos recebem o material das editoras e, na minha opinião, não deixam isso claro. Usam termos como “recebemos” ou “a editora enviou”, mas raramente ouço algo direto como: “Pessoal, não paguei por este livro; é uma divulgação”.

Além disso, há o agravante de que alguns influenciadores não leem as obras que recomendam, como se vê nesses dois vídeos (1 e 2).

Grupos de promoção

Uma fonte de renda comum para esses canais são os grupos de promoção no Telegram ou WhatsApp, onde compartilham links de afiliados. Muitas vezes, a divulgação foge do nicho do canal; conheço canais de games que anunciam até produtos para bebês.

Como em qualquer link de afiliado, o influenciador ganha um percentual sobre a venda. Em outras palavras: quanto mais os inscritos compram, maior é a recompensa do influenciador.

Consumismo

Acredito que esses fatores impulsionam uma cultura de consumo em que compramos o que sequer conseguimos apreciar. O foco passa a ser comprar para ter a “estante do vídeo”, para aproveitar a promoção ou para postar na rede social. É comprar para ter, ou para mostrar que tem.

Não pretendo ser alarmista, mas convido você a refletir: esse tipo de conteúdo tem influenciado o seu comportamento de compra? Você está comprando por interesse genuíno ou apenas replicando o que vê no Youtube, TikTok e afins?

Selo EntreBlogs 2.0